O desafio da autonomia em pacientes com demência
Debate ético e prático sobre como garantir a autodeterminação em casos de declínio cognitivo e fim de vida.
Foto: Reprodução
Especialistas reunidos no 13º Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro discutiram os limites éticos e práticos da autodeterminação em quadros de declínio cognitivo e fim de vida.
O Alzheimer, que responde por até 70% dos casos de demência, foi o centro de um painel que analisou como preservar a vontade do paciente mesmo diante de diagnósticos progressivos. O debate destacou que o suporte familiar e médico não deve substituir precocemente as escolhas do indivíduo.
Um dos casos clínicos apresentados envolveu um homem de 81 anos em fase inicial de demência. Embora mantivesse independência em atividades cotidianas, ele já necessitava de auxílio para gerir finanças e medicamentos, ilustrando a complexidade de definir o momento exato em que a autonomia começa a ser restringida.
A advogada e pesquisadora Nelma Melgaço defendeu a elaboração de planos avançados de cuidados logo no início do diagnóstico. Segundo ela, esse é o período ideal para conversar sobre valores e desejos, garantindo que a autodeterminação seja respeitada antes que a capacidade de decisão seja comprometida.
Isabela Trindade, fisioterapeuta e presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, reforçou que a proteção ao paciente não deve significar a anulação de sua voz. A especialista alertou para o risco de a rede de apoio assumir todas as decisões, retirando indevidamente o poder de escolha de quem ainda possui condições de se manifestar.