Mulheres também são stalkers: entenda o crime
Perseguição obsessiva transcende gênero e exige atenção para identificar e combater a prática, antes vista como exclusiva masculina.
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Apesar de historicamente associado ao público masculino, o stalking, prática de perseguição obsessiva que causa medo e angústia à vítima, também é cometido por mulheres. A compreensão desse fenômeno, que transcende gênero, é crucial para a identificação e o combate a essa conduta criminosa.
O stalking, tipificado no Código Penal brasileiro como perseguição, é definido como o ato de "perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua liberdade ou privacidade". Embora as estatísticas apontem para uma maior prevalência de homens como perpetradores, a realidade demonstra que mulheres também podem desenvolver comportamentos obsessivos e invasivos em relação a outras pessoas, sejam elas ex-parceiros, conhecidos ou até mesmo desconhecidos.
A motivação por trás do stalking cometido por mulheres pode variar. Em muitos casos, está ligada a um sentimento de rejeição, ciúmes exacerbado ou a uma dificuldade em lidar com o fim de um relacionamento. A busca por controle sobre a vida da vítima, a necessidade de atenção constante ou a tentativa de reatar um vínculo rompido podem alimentar esse comportamento. Em outros cenários, a perseguição pode ter raízes em transtornos psicológicos não tratados, como transtornos de personalidade ou delírios persecutórios.
A forma como o stalking se manifesta pode ser diversa. Inclui o envio incessante de mensagens, ligações, e-mails e presentes indesejados, o monitoramento constante das redes sociais da vítima, o aparecimento frequente em locais frequentados por ela, a disseminação de boatos ou informações falsas, e, em casos mais graves, ameaças e intimidações. A linha entre o afeto e a obsessão pode se tornar tênue, levando a vítima a um estado de constante apreensão e medo.
Identificar um stalker, independentemente do gênero, exige atenção a sinais de alerta. O comportamento obsessivo e repetitivo é o principal indicativo. Se uma pessoa demonstra um interesse desproporcional em sua vida, busca informações sobre você de forma insistente, aparece em locais onde você está sem convite ou demonstra um controle excessivo sobre suas ações e relacionamentos, é fundamental estar atento. A sensação de estar sendo vigiado ou de ter a privacidade invadida também são sinais importantes.
É importante ressaltar que a vítima de stalking não tem culpa pela conduta do perseguidor. A responsabilidade é inteiramente de quem pratica o ato. Buscar ajuda profissional, como apoio psicológico e orientação jurídica, é fundamental para lidar com os impactos emocionais e legais do stalking. Denunciar o crime às autoridades competentes é um passo crucial para garantir a segurança e a proteção da vítima.
A complexidade do stalking, que agora se reconhece também em mulheres, exige uma abordagem multifacetada. A conscientização pública sobre o tema, a desmistificação de estereótipos de gênero e o incentivo à busca por ajuda psicológica para perpetradores e vítimas são pilares essenciais para a construção de uma sociedade mais segura e respeitosa. A compreensão de que o stalking é um crime que afeta pessoas de todas as esferas, independentemente de quem o comete, é o primeiro passo para a sua erradicação.