Mulheres com TDAH: desafios e riscos de saúde negligenciados
Diferenças na manifestação do TDAH em mulheres levam a diagnósticos tardios e riscos à saúde específicos.
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A forma como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) se manifesta em mulheres frequentemente difere da apresentação clássica em homens, levando a diagnósticos tardios e a um conjunto único de riscos à saúde que exigem maior atenção.
O TDAH, um transtorno neurobiológico caracterizado por padrões persistentes de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade, tem sido historicamente compreendido a partir de sua apresentação em meninos e homens. Essa perspectiva, no entanto, obscurece as nuances com que o transtorno se manifesta no público feminino. Em muitas mulheres, os sintomas de hiperatividade e impulsividade podem ser menos evidentes ou se expressarem de maneiras internalizadas, como inquietação mental, tagarelice excessiva ou uma sensação constante de estar sobrecarregada. A desatenção, por outro lado, pode ser mais proeminente, manifestando-se como dificuldade em organizar tarefas, esquecimento frequente, procrastinação e uma tendência a se perder em pensamentos. Essa apresentação atípica muitas vezes leva a um subdiagnóstico ou a um diagnóstico equivocado, com mulheres sendo erroneamente rotuladas como ansiosas, depressivas ou simplesmente desorganizadas.
A falta de reconhecimento precoce do TDAH em mulheres acarreta uma série de consequências negativas para a saúde. A dificuldade em gerenciar tarefas diárias, a impulsividade e a desatenção podem impactar significativamente o desempenho acadêmico e profissional, gerando sentimentos de inadequação e baixa autoestima. Além disso, a sobrecarga crônica de lidar com sintomas não tratados pode aumentar a vulnerabilidade a problemas de saúde mental. Estudos indicam uma maior prevalência de ansiedade e depressão em mulheres com TDAH não diagnosticado. A impulsividade, quando não reconhecida como sintoma do transtorno, pode se manifestar em comportamentos de risco, como gastos excessivos, uso de substâncias ou comportamentos alimentares desregulados, que por sua vez trazem seus próprios riscos à saúde física e mental.
A relação entre TDAH e saúde física em mulheres também merece atenção. A desatenção pode dificultar a adesão a rotinas de autocuidado, como a prática regular de exercícios físicos, a alimentação saudável e o acompanhamento médico. Isso pode levar a um maior risco de desenvolvimento de condições crônicas, como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. A impulsividade, por sua vez, pode impactar a saúde reprodutiva, com relatos de maior incidência de gravidezes não planejadas e dificuldades em seguir orientações médicas durante a gestação. A dificuldade em regular emoções, frequentemente associada ao TDAH, pode também exacerbar sintomas de condições como a síndrome pré-menstrual (SPM) e a síndrome do ovário policístico (SOP), tornando o manejo dessas condições ainda mais desafiador.
O diagnóstico e tratamento adequados do TDAH em mulheres são cruciais para mitigar esses riscos. Uma abordagem que considere as particularidades da apresentação feminina, com profissionais de saúde treinados para identificar esses sinais, é fundamental. A terapia comportamental, o acompanhamento psicológico e, em alguns casos, a medicação, podem oferecer ferramentas eficazes para o manejo dos sintomas, melhorando a qualidade de vida e prevenindo o desenvolvimento de comorbidades. É essencial que a sociedade e os profissionais de saúde reconheçam que o TDAH não é um transtorno exclusivo de meninos e que sua manifestação em mulheres exige uma compreensão mais aprofundada e um olhar atento para seus desafios e riscos de saúde únicos.