Morte por febre maculosa em SP acende alerta
Óbito em São Bernardo do Campo reforça a necessidade de vigilância contra a doença transmitida por carrapatos, cujos sintomas podem ser confundidos co
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Óbito em São Bernardo do Campo reforça a necessidade de vigilância contra a doença transmitida por carrapatos, cujos sintomas podem ser confundidos com outras enfermidades.
Uma morte por febre maculosa foi confirmada em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, em 22 de julho de 2026. O caso, noticiado pela Folha de S.Paulo, reacende o debate sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce desta doença infecciosa, transmitida pela picada do carrapato infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii. A febre maculosa, também conhecida como doença de Lyme brasileira, pode evoluir rapidamente e, se não tratada a tempo, apresentar alta letalidade.
A doença tem como principais vetores os carrapatos do gênero Amblyomma, comumente encontrados em áreas rurais, pastagens, matas e até mesmo em parques urbanos com vegetação densa. A infecção ocorre quando o carrapato permanece fixado à pele por um período prolongado, geralmente de quatro a seis horas, permitindo que a bactéria seja transmitida para o hospedeiro. A picada em si é indolor, o que dificulta a identificação do momento da infecção.
Os sintomas da febre maculosa geralmente se manifestam entre dois e 14 dias após a picada do carrapato. Os primeiros sinais podem ser inespecíficos e facilmente confundidos com outras doenças, como dengue, malária ou leptospirose. Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações, fadiga e, em alguns casos, náuseas e vômitos.
Um dos sinais mais característicos da febre maculosa é o aparecimento de erupções cutâneas. Inicialmente, as manchas podem ser avermelhadas e planas, mas com a progressão da doença, tendem a se tornar petéquias – pequenas manchas roxas causadas por sangramento sob a pele. Essas erupções geralmente surgem a partir do terceiro dia de febre e costumam aparecer primeiro nos punhos e tornozelos, espalhando-se posteriormente para outras partes do corpo, como axilas, virilhas e tronco. No entanto, é importante notar que nem todos os pacientes desenvolvem as erupções cutâneas, o que pode atrasar o diagnóstico.
O diagnóstico da febre maculosa é desafiador devido à semelhança dos sintomas com outras doenças infecciosas e à ausência de sinais patognomônicos em todos os casos. A confirmação laboratorial envolve a detecção de anticorpos contra a bactéria Rickettsia rickettsii no sangue do paciente, geralmente realizada por meio de sorologia. No entanto, os anticorpos podem levar de uma a duas semanas para serem detectados, o que exige que o diagnóstico seja, em muitos casos, clínico e epidemiológico, com base na história do paciente e na suspeita de exposição a carrapatos.
O tratamento da febre maculosa é feito com antibióticos específicos, sendo a doxiciclina o medicamento de escolha. O início precoce do tratamento é crucial para aumentar as chances de cura e reduzir o risco de complicações graves. Quando não tratada adequadamente, a doença pode levar a quadros de inflamação em diversos órgãos, como cérebro, rins, pulmões e coração, resultando em sequelas neurológicas, insuficiência renal e até mesmo a morte.
A prevenção da febre maculosa envolve medidas simples, mas eficazes, especialmente para pessoas que frequentam áreas de risco. Recomenda-se o uso de roupas claras, que facilitam a visualização dos carrapatos, e a adoção de calças compridas, com as barras dentro das meias, e camisas de manga longa. O uso de repelentes de insetos, especialmente aqueles contendo DEET ou icaridina, nas áreas expostas do corpo e nas roupas, também é fundamental. Após frequentar áreas de mata ou pastagem, é essencial realizar uma inspeção minuciosa em todo o corpo, incluindo couro cabeludo, axilas, virilhas e atrás dos joelhos, para verificar a presença de carrapatos. Em caso de achado de carrapato, a remoção deve ser feita com cuidado, utilizando uma pinça e puxando-o suavemente pela cabeça, sem esmagar o corpo do parasita.
A vigilância epidemiológica é um pilar fundamental no controle da febre maculosa. A notificação de casos suspeitos e confirmados pelas autoridades de saúde permite o monitoramento da distribuição da doença e a implementação de ações de controle vetorial e de educação em saúde nas áreas de maior incidência. O caso em São Bernardo do Campo serve como um lembrete da importância de manter a atenção a essa doença, cujos riscos podem ser minimizados com informação e cuidados adequados.