Influenciadoras promovem creatina na menopausa sem base científica
Especialistas alertam para a falta de evidências científicas que comprovem os benefícios da creatina para mulheres na menopausa, apesar da popularizaç
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Recomendações de suplementos para a menopausa por influenciadoras digitais têm gerado preocupação entre especialistas, que alertam para a falta de evidências científicas que sustentem os benefícios alegados. A creatina, um composto popular entre atletas, tem sido apresentada como solução para sintomas como fadiga e perda muscular associados à transição hormonal feminina, mas a comunidade médica pede cautela.
A menopausa, período que marca o fim do ciclo menstrual, é acompanhada por uma série de alterações fisiológicas no corpo da mulher, incluindo a diminuição dos níveis de estrogênio. Essas mudanças podem levar ao surgimento de sintomas como ondas de calor, alterações de humor, diminuição da libido, ganho de peso e perda de massa muscular e óssea. Em busca de alívio e bem-estar, muitas mulheres recorrem a informações encontradas em redes sociais, onde influenciadoras digitais, muitas vezes sem formação médica específica, disseminam conselhos sobre dietas, exercícios e suplementação.
Recentemente, a creatina tem ganhado destaque nesse cenário. Prometida como um agente capaz de combater a fadiga, melhorar a força muscular e até mesmo auxiliar na cognição, a substância tem sido amplamente divulgada como um aliado para mulheres na menopausa. No entanto, a maioria dos estudos sobre os efeitos da creatina foi realizada com populações jovens e atletas, e as pesquisas que investigam seus benefícios específicos para mulheres em fase de menopausa são escassas e, em muitos casos, inconclusivas.
Especialistas em ginecologia e endocrinologia ressaltam que, embora a creatina possa ter um papel no desempenho físico em determinados contextos, sua aplicação direta e generalizada para aliviar os sintomas da menopausa carece de embasamento científico robusto. "É fundamental que as mulheres busquem orientação médica qualificada antes de iniciar qualquer tipo de suplementação, especialmente durante a menopausa, um período delicado que exige acompanhamento individualizado", afirma a Dra. Ana Clara Mendes, ginecologista.
A Dra. Mendes explica que os sintomas da menopausa são multifacetados e podem ser gerenciados de diversas formas, incluindo terapia de reposição hormonal (TRH), mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos adaptados, e acompanhamento psicológico. "A ideia de uma 'solução mágica' como um suplemento isolado para todos os problemas da menopausa é simplista e pode desviar a atenção de abordagens terapêuticas mais eficazes e seguras", pondera.
A falta de regulamentação clara sobre o conteúdo de saúde disseminado por influenciadores digitais é um ponto de atenção. Enquanto alguns criadores de conteúdo buscam compartilhar informações baseadas em evidências, outros parecem priorizar a promoção de produtos e a geração de engajamento, muitas vezes sem o devido rigor científico. Isso pode levar a um ciclo de desinformação, onde alegações sem comprovação se espalham rapidamente, influenciando decisões importantes sobre saúde.
O contexto de saúde global, com alertas sobre surtos de doenças como Hantavírus e Ebola, reforça a importância da informação confiável e da ciência como base para a tomada de decisões. A disseminação de informações imprecisas sobre suplementos, especialmente em grupos vulneráveis como mulheres na menopausa, pode ter consequências negativas para a saúde pública. A busca por bem-estar deve ser pautada pelo conhecimento científico e pela orientação de profissionais de saúde, e não por tendências passageiras nas redes sociais. A comunidade médica reitera a necessidade de um olhar crítico sobre as recomendações de saúde online e a importância de priorizar o diálogo com médicos e nutricionistas para um cuidado seguro e eficaz.