Estudo questiona necessidade universal de oito horas de sono
Novas pesquisas científicas questionam a necessidade universal de 8 horas de sono, sugerindo que a duração ideal varia e a qualidade é mais crucial.
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Uma revisão científica publicada na revista Brain Medicine sugere que a recomendação tradicional de oito horas de sono por noite pode não ser o padrão biológico ideal para todos os adultos, desafiando uma crença consolidada desde o século 19.
A ideia de dividir o dia em três blocos equitativos de oito horas — trabalho, lazer e descanso — é considerada uma construção cultural da Era Industrial. Pesquisas recentes indicam que a necessidade de repouso pode ser mais flexível do que a norma estabelecida historicamente.
Dados obtidos a partir de comunidades de caçadores-coletores na Tanzânia, Namíbia e Bolívia revelam que esses grupos dormem naturalmente entre 5,7 e 7,1 horas por noite, com uma média de 6,4 horas, sem a necessidade de compensar o período com cochilos diurnos.
Daniel E. Lieberman, biólogo evolutivo de Harvard, classifica a regra das oito horas como um conceito desvinculado da realidade biológica, apontando que evidências sugerem um menor risco de mortalidade em torno de sete horas de sono. Em contextos correlatos, a pesquisadora Catia Reis, da Universidade de Lisboa, reforça que a privação de sono afeta diretamente a capacidade de julgamento.
Além da duração, a ciência atual destaca que a regularidade e a qualidade do descanso são fatores determinantes para a saúde. Estudos epidemiológicos, incluindo análises do UK Biobank, reforçam a existência de uma curva de risco em formato de U, na qual tanto a privação severa quanto o excesso de sono estão associados a resultados clínicos desfavoráveis.