Estudo aponta viés geográfico em diretrizes globais de pneumonia
Estudo aponta que diretrizes globais para pneumonia grave ignoram diversidade e se baseiam em dados de países ricos.
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Pesquisa do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino revela que recomendações internacionais para o tratamento da pneumonia grave negligenciam a diversidade populacional ao se basearem majoritariamente em dados de países ricos.
O levantamento, publicado em julho na revista Respiratory Research & Clinical Practice, analisou as 115 referências que fundamentaram a diretriz de 2023, a primeira voltada especificamente ao manejo da doença em estado grave. Os resultados indicam que apenas 5,2% das fontes incluíram pacientes de nações de baixa ou média renda, sendo que nenhuma referência provinha de países de baixa renda.
A disparidade é acentuada pelo volume de pacientes analisados: dos mais de 3 milhões de indivíduos presentes nos estudos, 99,9% residiam em países de alta renda. O perfil demográfico também reflete uma concentração de gênero, com mulheres representando apenas 36% da amostra total.
A composição dos autores dos estudos reforça o cenário de desigualdade. Cerca de 75,6% dos primeiros autores e 96,1% dos autores seniores são homens, enquanto 96,1% dos pesquisadores estão vinculados a instituições localizadas em países desenvolvidos.
Segundo Jorge Salluh, pneumologista e pesquisador do Idor, os consensos médicos são fundamentais por sintetizarem evidências para a prática clínica global. No entanto, a falta de representatividade limita a aplicação dessas diretrizes em contextos como o brasileiro, onde a pneumonia representa uma causa relevante de internações no Sistema Único de Saúde.
O documento foi elaborado por entidades como a Sociedade Respiratória Europeia, a Sociedade Europeia de Medicina Intensiva, a Sociedade Europeia de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas e a Associação Latino-Americana de Tórax.