Doenças neurológicas afetam quase metade da população das Américas
Estudo da OPAS revela que 470 milhões de pessoas nas Américas vivem com doenças neurológicas, com mais sobreviventes e sequelas crônicas.
Envelhecimento, maior sobrevida e avanços no diagnóstico mudam o perfil de quem convive com condições como demência, epilepsia e outros transtornos (Tunatura/Adobe Stock)
Um estudo conduzido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aponta que cerca de 470 milhões de pessoas no continente americano convivem com ao menos uma condição neurológica, o que equivale a dois em cada cinco habitantes da região.
Publicado em 22 de julho de 2026 na revista The Lancet Regional Health – Americas, o levantamento analisou dados coletados entre 1990 e 2023 em 38 países e territórios. O mapeamento abrangeu 19 condições neurológicas não transmissíveis e relacionadas a lesões, incluindo AVC, Alzheimer, epilepsia, Parkinson, enxaqueca e transtornos do espectro autista.
Os dados indicam que, apenas em 2023, essas enfermidades foram responsáveis por 1,1 milhão de mortes e 37,5 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade na região. O cenário atual reflete uma transição epidemiológica: embora a mortalidade ajustada por idade tenha caído desde 1990, houve um aumento significativo no número de indivíduos que sobrevivem, mas permanecem com sequelas crônicas.
Segundo a neurologista Cristina Gonçalves Massant, do Hospital Israelita Albert Einstein, os avanços nos cuidados médicos permitiram que pacientes que antes enfrentariam um desfecho precoce sobrevivam por mais tempo, passando a conviver por décadas com limitações funcionais e sequelas.
Ramón Martínez, autor principal do estudo, explica que a região enfrenta um desafio de saúde pública caracterizado por menos mortes, porém mais anos vividos com incapacidade. Para o especialista, isso exige que os sistemas de saúde reestruturem o foco para a reabilitação e o acompanhamento de longa duração.
A OPAS ressalta que grande parte dessa carga pode ser mitigada. Anselm Hennis, diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da organização, afirma que o controle de fatores de risco modificáveis — como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e a redução da exposição a poluentes — é fundamental para promover a saúde cerebral e prevenir o agravamento dessas condições.
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