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Células cerebrais gordurosas podem agravar esclerose múltipla

Células cerebrais ricas em gordura são identificadas como potenciais agravantes da esclerose múltipla, indicando novas frentes terapêuticas.

The Health Brief 29 Jun 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Nova pesquisa aponta para o papel de células específicas no agravamento da doença neurodegenerativa, abrindo caminhos para futuras terapias.

Uma descoberta recente publicada no ScienceDaily, proveniente da seção Mind & Brain, sugere que um tipo particular de célula cerebral, caracterizada pela presença de gordura, pode estar desempenhando um papel significativo no agravamento da esclerose múltipla (EM). A pesquisa, divulgada em 29 de junho de 2026, lança luz sobre mecanismos celulares até então menos compreendidos da doença, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. A esclerose múltipla é uma condição crônica e autoimune que ataca a mielina, a bainha protetora que envolve as fibras nervosas no cérebro e na medula espinhal. A perda dessa mielina, conhecida como desmielinização, interrompe a comunicação entre o cérebro e o resto do corpo, levando a uma ampla gama de sintomas neurológicos, como fadiga, problemas de visão, dificuldades de coordenação e dor.

Tradicionalmente, o foco no estudo da esclerose múltipla tem sido em células imunes, como os linfócitos T e B, que desempenham um papel central na resposta inflamatória que danifica a mielina. No entanto, este novo estudo direciona a atenção para células cerebrais residentes, especificamente os astrócitos. Os astrócitos são um tipo de célula glial, que compõem a maior parte do tecido cerebral e desempenham funções de suporte essenciais para os neurônios. Eles participam da manutenção da barreira hematoencefálica, fornecem nutrientes aos neurônios, regulam a transmissão sináptica e participam da resposta inflamatória no sistema nervoso central. A pesquisa indica que, em condições de inflamação crônica, como a observada na EM, os astrócitos podem sofrer alterações metabólicas significativas, levando ao acúmulo de lipídios (gorduras) em seu interior.

O acúmulo dessas gorduras dentro dos astrócitos, um fenômeno conhecido como "astrócitos lipídicos" ou "astrócitos espumosos", parece estar correlacionado com a progressão da doença e a gravidade dos danos neurológicos. Os cientistas acreditam que esses astrócitos alterados podem não apenas falhar em suas funções protetoras, mas também contribuir ativamente para o processo inflamatório e a neurodegeneração. Uma hipótese é que esses astrócitos sobrecarregados de gordura liberem substâncias inflamatórias ou que sua própria disfunção comprometa a capacidade de reparo da mielina. Além disso, o acúmulo de lipídios pode interferir na comunicação entre os astrócitos e outras células cerebrais, exacerbando o ambiente patológico.

A identificação desses astrócitos lipídicos como potenciais vilões na esclerose múltipla abre novas e promissoras avenidas para o desenvolvimento de terapias. Se o acúmulo de gordura nesses astrócitos é um fator chave no agravamento da doença, então estratégias que visem modular o metabolismo lipídico dessas células ou reduzir sua inflamação podem ser eficazes. Isso poderia envolver o desenvolvimento de medicamentos que interfiram nas vias metabólicas específicas dos astrócitos ou que promovam a eliminação do excesso de lipídios. Outra possibilidade seria explorar terapias que restaurem a função normal dos astrócitos, permitindo que eles desempenhem seu papel de suporte e proteção de forma mais eficaz.

Embora a pesquisa ainda esteja em estágios iniciais e sejam necessários mais estudos para confirmar esses achados e traduzi-los em tratamentos clínicos, a descoberta representa um avanço significativo na compreensão da complexa patologia da esclerose múltipla. A mudança de foco para as células cerebrais residentes, em vez de apenas as células imunes circulantes, oferece uma perspectiva mais holística sobre como a doença progride e como ela pode ser combatida. A esperança é que, ao desvendar os segredos desses astrócitos gordurosos, os pesquisadores possam, em breve, oferecer novas esperanças e opções de tratamento para os pacientes que vivem com esclerose múltipla.

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