Cardiologia preventiva enfrenta impasse em novas terapias
Medicina de precisão enfrenta dilemas após ensaios falharem em converter avanços em benefícios clínicos para pacientes.
Foto: Reprodução
A medicina de precisão vive um momento de reflexão após recentes ensaios clínicos falharem em converter a redução de biomarcadores em benefícios clínicos concretos para pacientes com risco cardiovascular.
O cardiologista Vishal Khetpal, em artigo publicado no STAT+ em 24 de setembro de 2026, argumenta que o avanço na compreensão genética e epidemiológica dos riscos de infarto e derrame superou, momentaneamente, a capacidade da medicina em oferecer intervenções terapêuticas eficazes.
Um dos casos que ilustra esse cenário é o estudo Lp(a) HORIZON, conduzido pela Novartis. Embora o medicamento pelacarsen tenha demonstrado sucesso na redução dos níveis de lipoproteína(a), um marcador genético de risco, o ensaio de Fase 3 não conseguiu reduzir a incidência de eventos cardiovasculares nos participantes.
Situação semelhante ocorreu com o ensaio ZEUS, da Novo Nordisk, que avaliou o ziltivekimab. O anticorpo monoclonal atingiu seu alvo biológico, a interleucina-6 (IL-6), mas os resultados clínicos não apresentaram diferença significativa em comparação aos grupos de controle.
Para Khetpal, a frustração do setor reside na lacuna entre o sucesso laboratorial e a prática clínica. A estratégia de focar em alvos biológicos específicos, embora tecnicamente precisa, ainda não se traduziu em melhores desfechos de saúde para a população de risco.