Brasileiros conhecem sintomas, mas ignoram rastreamento de câncer colo

Conhecimento sobre sintomas de alerta contrasta com desconhecimento sobre exames preventivos, dificultando diagnóstico precoce.

The Health Brief • • 4 min de leitura
Foto: Reprodução

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Apesar de reconhecerem sinais de alerta para o câncer colorretal, como alterações no hábito intestinal e sangramentos, a população brasileira demonstra desconhecimento sobre a importância e a disponibilidade de exames de rastreamento para a doença. A discrepância entre o conhecimento dos sintomas e a adoção de medidas preventivas pode comprometer a detecção precoce, fundamental para o sucesso do tratamento.

O câncer colorretal, que abrange tumores no cólon e reto, é um dos tipos mais comuns no Brasil, com projeções que indicam sua persistência como um desafio significativo para a saúde pública. Fatores como o envelhecimento da população, o sedentarismo, dietas ricas em gordura e pobres em fibras, além do consumo de álcool e tabagismo, contribuem para o aumento da incidência. Contudo, a doença é considerada curável em grande parte dos casos quando diagnosticada em estágios iniciais.

A conscientização sobre os sintomas é um passo importante, mas insuficiente. Sintomas como mudança persistente no hábito intestinal (diarreia ou constipação), presença de sangue nas fezes, dor abdominal crônica, sensação de esvaziamento incompleto do intestino e perda de peso inexplicada devem ser investigados por um médico. No entanto, muitos brasileiros associam esses sinais a problemas menos graves, como hemorroidas ou infecções, adiando a busca por avaliação profissional.

O principal obstáculo para a detecção precoce reside no baixo conhecimento e na baixa adesão aos exames de rastreamento. A colonoscopia, considerada o padrão ouro para o rastreamento, permite a visualização direta do interior do cólon e reto, possibilitando a identificação e remoção de pólipos pré-cancerosos antes que se tornem malignos. Apesar de sua eficácia, a colonoscopia ainda é vista com receio por parte da população, muitas vezes devido à falta de informação sobre o procedimento, o desconforto associado ou a percepção de que não se aplica ao seu perfil de risco.

Outras abordagens de rastreamento, como o teste de sangue oculto nas fezes (TSOF) e, mais recentemente, a biópsia líquida, que analisa fragmentos de DNA tumoral circulante no sangue, também oferecem alternativas para a detecção precoce. Estudos recentes, como os que indicam que exames de sangue podem quadruplicar a detecção de casos de câncer, reforçam a importância de diversificar as ferramentas de rastreamento e torná-las mais acessíveis. A biópsia líquida, em particular, tem o potencial de revolucionar o diagnóstico, oferecendo uma metodologia menos invasiva e potencialmente mais abrangente.

A falta de conhecimento sobre a periodicidade recomendada para os exames de rastreamento é outro fator crítico. Geralmente, o rastreamento é indicado a partir dos 45 ou 50 anos para a população em geral, com periodicidade definida pelo médico com base nos resultados e no histórico familiar. Indivíduos com histórico familiar de câncer colorretal ou doenças inflamatórias intestinais podem necessitar de rastreamento mais precoce e frequente.

A desinformação sobre a disponibilidade desses exames no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada também contribui para a baixa adesão. É fundamental que as campanhas de saúde pública e a atuação dos profissionais de saúde reforcem a mensagem de que o rastreamento é um direito e uma ferramenta poderosa na luta contra o câncer colorretal. A promoção de uma cultura de prevenção, onde a consulta médica regular e a realização de exames preventivos se tornem hábitos, é essencial para reverter o cenário atual.

A superação desse desafio requer um esforço conjunto entre governo, instituições de saúde, profissionais médicos e a sociedade civil. É preciso investir em educação em saúde, desmistificar os exames de rastreamento e garantir o acesso facilitado a essas tecnologias. Somente assim será possível aumentar as taxas de detecção precoce e, consequentemente, salvar mais vidas no combate a este tipo de câncer.

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