Bolsonaristas resgatam desinformação sobre Covid perto das eleições
Estratégia eleitoral resgata narrativas falsas sobre Covid-19, minando a confiança em vacinas e ciência.
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A proximidade de eventos eleitorais tem sido marcada por um ressurgimento de narrativas de desinformação relacionadas à pandemia de Covid-19, com parlamentares e figuras ligadas ao bolsonarismo voltando a explorar temas como a eficácia de vacinas e tratamentos. A estratégia, que já se mostrou presente em pleitos anteriores, levanta preocupações sobre o impacto na saúde pública e no debate democrático.
A exploração de desinformação sobre a Covid-19 por políticos, especialmente em períodos eleitorais, é um fenômeno que tem sido observado desde o início da pandemia. Parlamentares e influenciadores bolsonaristas têm utilizado plataformas digitais e discursos públicos para disseminar informações falsas ou distorcidas sobre a doença, suas origens, a eficácia das vacinas e a segurança de tratamentos alternativos. Essa abordagem, que se intensifica em momentos de disputa eleitoral, visa mobilizar bases de apoio e, em alguns casos, desacreditar instituições científicas e de saúde.
Um exemplo dessa tática é a reiteração de questionamentos sobre a segurança e a eficácia das vacinas de mRNA, tecnologia que, paradoxalmente, tem sido a base para avanços em outras áreas da saúde. Recentemente, a FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou a primeira vacina contra a gripe baseada nessa mesma tecnologia de mRNA, desenvolvida pela Moderna. Essa aprovação, que segue anos de pesquisa e testes, demonstra a consolidação e a expansão do uso dessa plataforma tecnológica em vacinas, inclusive para doenças com alta incidência sazonal, como a gripe. No entanto, para alguns grupos, a tecnologia de mRNA ainda é alvo de críticas e desinformação, mesmo quando aplicada a outras finalidades.
Paralelamente, a discussão sobre tratamentos alternativos e a eficácia de medicamentos sem comprovação científica robusta também tem sido um ponto recorrente. Estudos sobre compostos como a "polilaminina", por exemplo, têm sido citados em debates públicos, embora a comunidade científica reitere a falta de conclusões definitivas sobre sua eficácia. A Folha de S.Paulo, em reportagem publicada em 05 de agosto de 2026, destacou que um estudo sobre a polilaminina ainda não apresentava conclusões sobre sua eficácia, ressaltando a necessidade de mais pesquisas e a cautela científica diante de alegações preliminares. A disseminação de informações sobre supostos tratamentos milagrosos, muitas vezes desacompanhada de evidências científicas sólidas, pode levar a decisões equivocadas por parte da população, com potenciais riscos à saúde.
A estratégia de explorar a desinformação sobre a Covid-19 em períodos eleitorais pode ser compreendida sob diversas óticas. Em primeiro lugar, a pandemia gerou um ambiente de incerteza e medo, terreno fértil para a proliferação de teorias conspiratórias e narrativas simplificadas. Políticos que se posicionam contra as medidas de saúde pública adotadas por governos e organizações internacionais, ou que promovem tratamentos alternativos, podem atrair um eleitorado que se sente desamparado ou que desconfia das instituições tradicionais.
Em segundo lugar, a desinformação funciona como uma ferramenta de mobilização política. Ao criar um inimigo comum (sejam as vacinas, as autoridades de saúde ou a "ciência oficial"), esses grupos conseguem unificar suas bases de apoio e gerar engajamento em torno de pautas que fogem do debate político tradicional. A polarização em torno da pandemia se tornou um eixo importante na disputa política, e a exploração de narrativas controversas sobre a Covid-19 pode ser vista como uma forma de manter essa polarização viva e relevante para o eleitorado.
A reincidência desse tipo de desinformação, especialmente em um cenário onde a tecnologia de mRNA avança em outras frentes de saúde, como a vacinação contra a gripe, levanta sérias questões sobre a capacidade da sociedade de lidar com a manipulação de informações em massa. A facilidade com que narrativas falsas se espalham pelas redes sociais, aliada à atuação de figuras públicas que as amplificam, representa um desafio contínuo para a saúde pública e para a integridade do processo democrático. A necessidade de educação midiática e de um jornalismo de qualidade, capaz de checar fatos e apresentar informações embasadas cientificamente, torna-se ainda mais crucial em períodos de maior vulnerabilidade informacional.