Alcatrão de bétula era usado por Neandertais como antibiótico
Substância usada para fixar ferramentas pelos hominídeos possuía propriedades antibióticas, revelam cientistas.
Foto: Reprodução
Estudo internacional revela que a substância, tradicionalmente vista apenas como adesivo pré-histórico, possui propriedades capazes de inibir infecções bacterianas em ferimentos.
Pesquisadores da Universidade de Colônia, em parceria com instituições do Reino Unido, Bélgica e Canadá, demonstraram que o alcatrão de bétula — material utilizado pelos Neandertais há cerca de 200 mil anos para fixar ferramentas — também funcionava como um agente medicinal natural.
Testes laboratoriais confirmaram que amostras produzidas por métodos que replicam as técnicas da época foram eficazes na inibição da bactéria Staphylococcus aureus, um patógeno comum em infecções de feridas. A eficácia foi observada independentemente da técnica de produção utilizada, seja por fossa subterrânea, condensação ou métodos modernos.
Tjaark Siemssen, arqueólogo e autor principal do estudo publicado no periódico PLOS One, destaca que a descoberta se alinha a um crescente corpo de evidências sobre o conhecimento medicinal e o uso de plantas entre os Neandertais. O coautor Matthias Bierenstiel reforça que a substância, além de sua função tecnológica, servia como um recurso terapêutico surpreendente para a época.
Os pesquisadores relataram que o processo de fabricação do alcatrão é complexo e sensorialmente exigente, envolvendo etapas que desafiam a manipulação direta. A descoberta altera a compreensão histórica sobre esses hominídeos, sugerindo que suas práticas de cuidado eram mais avançadas do que se acreditava anteriormente.
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