Administração Trump encerra repasse direto a grupos de HIV
Mudança federal centraliza verbas de prevenção ao HIV em estados, gerando apreensão em organizações comunitárias.
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A decisão de não renovar o financiamento federal para organizações comunitárias altera a estratégia de prevenção ao HIV nos Estados Unidos, centralizando os recursos nos departamentos de saúde estaduais.
O programa PS21-2102, que destinava US$ 46 milhões anuais diretamente a 96 organizações comunitárias, teve seu ciclo de financiamento encerrado pelo governo federal. A medida, comunicada pelo Centro Nacional de Prevenção de HIV, Hepatite Viral, DST e Tuberculose do CDC, interrompe o modelo de repasse direto que vigorava para entidades especializadas no atendimento a populações vulneráveis.
Historicamente, o CDC priorizava o financiamento direto a grupos comunitários por considerá-los mais eficazes no alcance de comunidades negras, latinas e LGBTQ+, que frequentemente possuem menor acesso aos sistemas de saúde tradicionais. Em 2020, o próprio órgão reconheceu que essas organizações desempenhavam um papel complementar indispensável aos esforços de saúde pública.
Emily Hilliard, secretária de imprensa do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, afirmou que o CDC mantém o compromisso com a prevenção do HIV, justificando a mudança como uma forma de simplificar a gestão dos recursos. No novo modelo, caberá aos estados decidir se repassarão ou não verbas para as entidades locais, sem a previsão de novas oportunidades de financiamento direto da agência federal.
Representantes do setor expressaram preocupação com o impacto da medida. Carl Baloney, Jr., presidente da AIDS United, declarou que o desmantelamento dos sistemas comunitários pode comprometer a resposta nacional à epidemia. Matt Toburen, do Aliveness Project, alertou que a interrupção dos serviços pode resultar em um aumento no número de infecções e na redução do acesso a diagnósticos e tratamentos como PrEP e PEP.