Notícias 24h no WhatsApp

Assine o The Health Brief

Receba notícias em tempo real, análises profissionais e acesso ao Terminal Web.

Plano Básico
WhatsApp + Terminal básico
R$19,90 /mês
WhatsApp 24 Horas
Notícias por temas
Terminal Web básico
Começar Agora
Plano Completo
WhatsApp + Terminal Premium
R$299,90 /mês
Tudo do Básico
Terminal Web completo
Análises profissionais
Começar Agora

A ciência desvenda o transtorno dissociativo de identidade

Cientistas investigam a complexidade e os mecanismos por trás da condição psiquiátrica que gera múltiplas identidades em um indivíduo.

The Health Brief 23 Jul 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Entenda o que é o transtorno de múltiplas personalidades e o que a pesquisa revela sobre sua existência e complexidade.

A existência do transtorno dissociativo de identidade (TDI), popularmente conhecido como transtorno de múltiplas personalidades, tem sido objeto de debate e fascínio há décadas. Longe de ser um mero artifício de ficção, o TDI é uma condição psiquiátrica complexa, reconhecida por manuais diagnósticos e estudada pela ciência. No entanto, sua natureza intrincada e a dificuldade em sua identificação e tratamento continuam a desafiar profissionais da saúde mental.

O TDI é caracterizado pela presença de duas ou mais identidades ou estados de personalidade distintos, que recorrentemente assumem o controle do comportamento do indivíduo. Cada uma dessas identidades pode ter um nome, história pessoal e traços de personalidade próprios, incluindo diferenças na voz, gestos e até mesmo na percepção de si mesmo e do mundo. A transição entre essas identidades é frequentemente acompanhada de lacunas de memória, conhecidas como amnésia dissociativa, que podem variar em gravidade e duração.

A origem do transtorno está intrinsecamente ligada a experiências traumáticas severas e repetitivas na infância, geralmente antes dos 6 a 8 anos de idade. O trauma, muitas vezes de natureza abusiva (física, sexual ou emocional), leva a criança a desenvolver mecanismos de defesa para lidar com o sofrimento insuportável. A dissociação, um processo mental que permite que a mente se separe de pensamentos, sentimentos, memórias ou sensações perturbadoras, surge como uma forma de sobrevivência. Em casos extremos, essa dissociação pode evoluir para a formação de identidades distintas como uma maneira de compartimentalizar as experiências traumáticas e proteger o "eu" central.

O diagnóstico do TDI não é simples e exige uma avaliação psiquiátrica aprofundada. Profissionais utilizam entrevistas clínicas detalhadas, observação do comportamento e, por vezes, testes psicológicos específicos para identificar os critérios diagnósticos estabelecidos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) ou na Classificação Internacional de Doenças (CID). A dificuldade reside no fato de que os sintomas do TDI podem se sobrepor a outras condições psiquiátricas, como transtornos de personalidade, transtornos de ansiedade, depressão e esquizofrenia, além de poderem ser confundidos com simulação.

A pesquisa científica tem avançado na compreensão dos mecanismos neurais e psicológicos subjacentes ao TDI. Estudos de neuroimagem, por exemplo, têm sugerido diferenças na atividade cerebral entre as diferentes identidades de um indivíduo com TDI, indicando que não se trata apenas de uma questão comportamental, mas de alterações neurobiológicas. A terapia é o principal pilar do tratamento, com abordagens que visam, primeiramente, garantir a segurança do paciente e estabilizar seus sintomas. Em seguida, o foco se volta para a integração das diferentes identidades em um todo coeso, o que geralmente envolve o processamento das memórias traumáticas de forma segura e controlada.

A terapia dialética comportamental e a terapia focada no trauma são algumas das abordagens terapêuticas utilizadas. O processo de cura é frequentemente longo e desafiador, exigindo um ambiente terapêutico seguro e um relacionamento de confiança entre paciente e terapeuta. O uso de medicamentos pode ser considerado para tratar sintomas coexistentes, como ansiedade e depressão, mas não há uma medicação específica para o TDI em si.

Apesar dos avanços, o estigma em torno do TDI persiste, muitas vezes alimentado por representações sensacionalistas na mídia. É fundamental que a sociedade compreenda que o TDI é uma condição de saúde mental séria, decorrente de traumas profundos, e que os indivíduos que a vivenciam merecem compaixão, compreensão e acesso a tratamento adequado. A ciência continua a desvendar as complexidades dessa condição, buscando aprimorar diagnósticos e tratamentos para oferecer esperança e recuperação aos que sofrem com o transtorno dissociativo de identidade.

Compartilhar